Quando falamos em trabalho em altura, a prevenção é sempre a prioridade número um. Mas e se, mesmo com todos os cuidados, algo der errado? Um trabalhador sofre um mal súbito, um equipamento falha, um acidente acontece. Neste momento crítico, a diferença entre vida e morte pode estar na capacidade de resposta da equipe.
A NR-35 é clara: toda empresa que realiza trabalhos em altura deve possuir procedimentos de resgate documentados e equipes treinadas. Vamos entender por que isso é absolutamente indispensável.
O que diz a NR-35 sobre resgate
O item 35.5 da norma estabelece que o empregador deve assegurar a realização de resgate e prestação de primeiros socorros, com a elaboração de procedimentos de resgate adequados às rotinas de trabalho.
Não basta ter equipamentos – é preciso ter plano, treinamento e capacidade operacional.
A síndrome do trauma por suspensão
Muitos não sabem, mas um trabalhador suspenso pelo cinto de segurança após uma queda pode desenvolver a síndrome do trauma por suspensão (também chamada de síndrome do arnês) em poucos minutos.
A pressão das tiras do cinto nas pernas restringe o fluxo sanguíneo, podendo levar à perda de consciência e até morte em 15 a 30 minutos.
O resgate rápido não é apenas desejável – é vital.
Tipos de resgate em altura
Existem diferentes modalidades de resgate, e a escolha depende da situação e da estrutura:
Autorresgate: o próprio trabalhador executa sua descida em segurança (requer treinamento específico)
Resgate por terceiros da equipe: colegas capacitados realizam o resgate
Resgate por equipe especializada: Corpo de Bombeiros ou empresas especializadas
O ideal é nunca depender exclusivamente de resgate externo. O tempo de chegada pode ser fatal.
Equipamentos específicos para resgate
Além dos EPIs convencionais, operações de resgate exigem:
Descensores especiais de resgate
Sistemas de içamento (tripés, polias, cordas específicas)
Macas rígidas para remoção em altura
Kits de primeiros socorros adaptados
Sistemas de comunicação eficientes
Treinamento prático é indispensável
Conhecimento teórico não salva vidas em situações de pânico e pressão.
As equipes precisam treinar cenários realistas, cronometrar procedimentos e simular diferentes situações de emergência.
A prática leva à automatização dos movimentos, essencial em momentos críticos.
Integração com brigada de emergência e SESMT
O plano de resgate deve estar integrado ao plano geral de emergências da empresa.
A brigada de incêndio, o SESMT e os trabalhadores autorizados devem treinar juntos e conhecer suas atribuições específicas.
Documentação e atualização
Os procedimentos de resgate devem estar documentados, acessíveis e ser periodicamente revisados.
Mudanças nas estruturas, nos processos ou na equipe exigem atualização dos planos.
Resgate em altura não é um “extra” ou uma preocupação secundária – é requisito legal e responsabilidade moral.
Empresas que levam a sério a segurança de seus colaboradores investem em capacitação, equipamentos adequados e treinamentos regulares.
Porque quando a emergência acontece, não há tempo para improvisar.
Prepare sua equipe hoje. Amanhã pode ser tarde demais.


