NR-35 em Manutenção de Telhados: Desafios e Soluções Práticas

A manutenção de telhados é uma atividade rotineira e essencial para a conservação de qualquer edificação, seja ela residencial, comercial ou industrial. No entanto, é também uma das atividades que mais expõe os trabalhadores ao risco de queda, uma das principais causas de acidentes de trabalho graves e fatais. A Norma Regulamentadora 35 (NR-35) estabelece […]

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A manutenção de telhados é uma atividade rotineira e essencial para a conservação de qualquer edificação, seja ela residencial, comercial ou industrial. No entanto, é também uma das atividades que mais expõe os trabalhadores ao risco de queda, uma das principais causas de acidentes de trabalho graves e fatais. A Norma Regulamentadora 35 (NR-35) estabelece os requisitos mínimos de segurança para o trabalho em altura, e sua aplicação na manutenção de telhados é crucial. Este artigo aborda os desafios específicos dessa atividade e apresenta soluções práticas para garantir a segurança dos trabalhadores, em conformidade com a NR-35.

Os Desafios da Manutenção de Telhados

O trabalho em telhados apresenta uma série de desafios que o tornam particularmente perigoso:
Fragilidade do Material: Muitas telhas (fibrocimento, cerâmica, vidro) não foram projetadas para suportar o peso de uma pessoa, podendo quebrar e causar uma queda.
Superfícies Escorregadias: A presença de umidade, limo, musgo ou folhas pode tornar a superfície do telhado extremamente escorregadia.
Inclinação: Telhados inclinados aumentam o risco de escorregamentos e quedas, exigindo técnicas e equipamentos específicos.
Aberturas e Vãos: A presença de claraboias, domos e outras aberturas representa um risco adicional de queda.
Condições Climáticas: Vento, chuva e calor excessivo podem dificultar o trabalho e aumentar os riscos.
Falta de Pontos de Ancoragem: Muitas edificações não possuem pontos de ancoragem adequados para a fixação de linhas de vida e outros equipamentos de segurança.

Soluções Práticas e Conformidade com a NR-35

Para superar esses desafios e garantir um trabalho seguro, é fundamental seguir as diretrizes da NR-35 e adotar soluções práticas:

1. Planejamento e Análise de Risco (AR)

Nenhum trabalho em telhado deve começar sem um planejamento detalhado e uma Análise de Risco (AR). A AR deve:
Identificar todos os riscos (fragilidade do telhado, inclinação, aberturas, condições climáticas, etc.).
Avaliar a estrutura do telhado e a existência de pontos de ancoragem.
Definir as medidas de controle e os sistemas de proteção contra quedas a serem utilizados.
Estabelecer um plano de emergência e resgate.

2. Sistemas de Proteção Contra Quedas

A escolha do sistema de proteção contra quedas depende das características do telhado e do trabalho a ser realizado. As opções incluem:
Linhas de Vida Provisórias: São a solução mais comum para trabalhos pontuais. Podem ser instaladas fitas ou cabos de aço em pontos de ancoragem estruturais (vigas, pilares) para que os trabalhadores possam se conectar com seus trava-quedas. A instalação dessas linhas de vida deve ser feita por profissional capacitado.
Linhas de Vida Fixas: Em edificações onde a manutenção de telhados é frequente, a instalação de um sistema de linha de vida fixa, projetado por um Profissional Legalmente Habilitado (PLH), é a solução mais segura e eficiente a longo prazo.
Pontos de Ancoragem Individuais: Podem ser instalados pontos de ancoragem específicos em locais estratégicos do telhado para a fixação dos talabartes dos trabalhadores.
Redes de Segurança: Em grandes áreas ou em telhados muito frágeis, a instalação de redes de segurança sob a estrutura pode ser uma medida de proteção coletiva eficaz.

3. Acesso Seguro ao Telhado

O acesso ao telhado deve ser feito por meios seguros, como escadas de mão com montantes que ultrapassem a superfície em pelo menos 1 metro, ou escadas tipo marinheiro com guarda-corpo e linha de vida.

4. Circulação sobre o Telhado

Caminhos Seguros: Sempre que possível, deve-se transitar sobre as terças e vigas da estrutura do telhado, e não diretamente sobre as telhas.
Pranchas e Passarelas: Utilizar pranchas ou passarelas de madeira ou metal para distribuir o peso e criar um caminho seguro sobre telhas frágeis.
Calçados Adequados: Utilizar calçados de segurança com solado antiderrapante.

5. Equipamentos de Proteção Individual (EPIs)

O uso do SPIQ (Sistema de Proteção Individual Contra Quedas) é obrigatório e inclui:
Cinturão de Segurança tipo Paraquedista: Deve estar bem ajustado ao corpo.
Talabarte Duplo ou em “Y”: Permite que o trabalhador se mantenha sempre conectado a um ponto de ancoragem, mesmo durante o deslocamento.
Trava-Quedas: Conectado à linha de vida, trava automaticamente em caso de queda.

6. Capacitação e Conscientização

Todos os trabalhadores que realizam manutenção em telhados devem ser capacitados conforme a NR-35, com treinamento teórico e prático sobre os riscos, procedimentos seguros, uso de EPIs e noções de resgate. A conscientização sobre os perigos e a importância de seguir os procedimentos é fundamental.

 

A manutenção de telhados é uma atividade de alto risco, mas que pode ser realizada de forma segura com o planejamento adequado e a aplicação rigorosa dos princípios da NR-35. A combinação de uma Análise de Risco detalhada, a escolha de sistemas de proteção contra quedas adequados, o uso correto de EPIs e a capacitação dos trabalhadores são as chaves para prevenir acidentes. Lembre-se: no trabalho em altura, e especialmente em telhados, a segurança não é uma opção, é uma obrigação. Investir em soluções práticas e em conformidade com a NR-35 é investir na vida e na integridade dos trabalhadores.

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